Viver entre França e Brasil me proporcionou a experiência de ter duas casas, e conhecer os códigos sociais de cada uma delas.
Os dois países são calorosos — cada um à sua maneira — mas com regras implícitas muito diferentes.
E muitas vezes, o que parece frieza ou grosseria por parte dos franceses é, na verdade, apenas etiqueta cultural mal interpretada — nossos alunos que o digam, pois aprenderam as diferenças culturais e sempre foram super bem recebidos na França.
Se você também quer ter uma boa experiência por lá, este artigo é para você.
Vamos lá? Allons-y?

1. Cumprimentar é obrigatório na França
Começamos aqui com uma das grandes diferenças culturais entre Brasil e França.
No Brasil, podemos entrar em qualquer estabelecimento e já perguntar o que queremos.
Na França, não.
Antes de qualquer coisa, você diz:
- Bonjour (bom dia/boa tarde)
- Bonsoir (boa noite)
E só depois faz seu pedido.
Ignorar o cumprimento — não só em estabelecimentos, mas ao pedir informação na rua, por exemplo, e em qualquer outra situação na qual você vai abordar outra pessoa — pode soar como falta de educação, e muitos franceses são grossos quando a pessoa não fala “bonjour” ou “bonsoir”.
O cumprimento não é opcional. Ele é parte da etiqueta social.

2. As “palavrinhas mágicas” importam muito
No Brasil usamos “por favor” e “obrigado”, mas muitas vezes de forma mais flexível.
Na França, essas expressões são indispensáveis:
- S’il vous plaît — por favor
- Merci — obrigado / obrigada
- Excusez-moi — com licença
Usar essas palavras muda completamente o tom da conversa.
3. Franceses são grosseiros? Ou seguimos outra etiqueta?
É muito comum ouvir brasileiros dizendo que os franceses são frios, mal educados e até grossos.
Eu não vou mentir: há os que são, sim.
Porém, para nós, turistas brasileiros na França, o que acontece muitas vezes são mal entendidos.
No Brasil:
- Falamos alto
- Tocamos nas pessoas
- Somos expansivos
- Criamos intimidade rápido
Na França:
- O tom de voz é mais baixo
- A proximidade física é menor
- A formalidade inicial é maior
- A intimidade leva tempo
Se você entra falando alto, sem cumprimentar, pedindo algo diretamente — o francês pode reagir de forma seca e até grosseira, já que eles não são de “levar desaforo para casa”.
Mas se você entende a etiqueta e segue o protocolo social, a experiência muda completamente.
Quando o código é respeitado, os franceses são extremamente gentis e educados.
4. Restaurantes: o tom de voz importa

Essa diferença é muito visível.
No Brasil:
- Restaurantes são barulhentos
- Conversas animadas
- Riso alto é normal
Na França:
- Fala-se baixo
- Conversa-se de forma mais contida
- O ambiente é mais silencioso
Sim, falar muito alto no restaurante na França pode ser percebido como falta de educação.
E isso não tem a ver com simpatia — tem a ver com cultura.
5. Ritmo de vida
Este é um traço cultural que eu amo nos franceses. Eles valorizam:
- pausa para café
- tempo de qualidade à mesa (um almoço de fim de semana pode durar horas)
- férias mais longas e ciclos de descanso
Já no Brasil, valorizamos:
- interação social intensa
- clima vibrante
Isso se reflete no vocabulário e na forma de falar sobre o dia a dia.

6. Formalidade x informalidade
Esta é, sem dúvida, uma das principais diferenças culturais entre Brasil e França.
No Brasil, criamos proximidade rapidamente com as pessoas. A barreira da formalidade — que impõem, sim, uma certa distância entre as pessoas — não é tão alta como na França.
Lá, se você não conhece a pessoa, deve usar o “vous” com ela.
Seria como “o senhor” ou “a senhora/senhorita” no português. É formal.
Expressões como “s’il vous plaît” (por favor), “allez-y, madame” (pode passar, senhora), “excusez-moi” (desculpe), estão todas no “vous”.
Na França, usa-se o “tu” somente quando você conhece a pessoa — é amigo ou familiar.
Portanto, jamais use o “tu” com um francês em um contexto de viagem. Ele não te conhece e vai estranhar — mas, claro, também vai perceber que você é turista. 😂
7. Cultura influencia a língua
Muitas palavras francesas refletem valores culturais:
- terroir — ligação profunda com o território
- savoir-vivre — saber viver
- raison d’être — razão de existir
- joie de vivre — alegria de viver
- bon vivant — pessoa que aprecia os prazeres da vida
Aprender essas palavras é aprender a forma francesa de ver o mundo.
Quando você entende o código cultural, a comunicação muda.
E o que antes parecia frieza, vira elegância e acolhimento.

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